quarta-feira, 15 de março de 2017

“O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier”


“O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier”
Beto Guedes e Fernando Brant (1980)
O amor é um sentimento com a capacidade de impulsionar e revolucionar o mundo. Nos remete no primeiro momento a sensações agradáveis como prazer, o carinho, o desejo... No entanto, muitos de nós se doaram tanto se esgotaram, e por um motivo ou outro acabaram se fechando para amar. 
O amor traz em sua bagagem sensações que nos acessam a nossa memória infantil e nos retornam ao aconchego do colo materno, tão envolvente em proteção e carinho. Em determinadas situações, quando essa experiência tão importante para um criança falha, seja por ausência ou superproteção, sua forma de amar e de se relacionar futuramente com o seu mundo interno e o mundo lá fora poderá ser influenciada.
Esse primeiro contato de amor entre o bebê e sua mãe não podem ser ensinados através de técnicas ou manuais, pois depende de algo muito mais sutil, sublime e íntimo, do seu Eu interior.
Quando amamos, desejamos, sonhamos e criamos expectativas, pois o que nos excita no outro está dentro de nós, estamos atendendo primeiramente nossos desejos. Então, se temos medo de amar, de nos entregar, talvez não tenha sido construído de forma satisfatória, ou talvez como a gente queria, afinal somos seres faltantes e sempre estamos em busca de algo... E o sentido que fica é de desamparo e insegurança, ou não sentir-se merecedor em ser amado.
Tal insegurança aliada ao medo pode estar atrelada a traumas e a dores do passado. E esse medo pode ser um mecanismo de defesa encontrado para se blindar e ficar “imune” ao amor e aos possíveis prazeres que ele carrega em si.
Mas amar é viver, não existe manual. Conhecer-se e se permitir nesta aventura que é amar! Viver em toda sua intensidade e encher-se de vida e preencher os vazios que se instalaram dentro de si.
O que passou não poderá ser modificado, mas poderá ser olhado com um novo significado, possibilitando um caminho novo cheio de amor – próprio. Cada história é única, e pode ter recomeços diferenciados e diversos com outros personagens que darão um roteiro diferente e quem sabe, muito mais feliz!
- Roseane Corso

quinta-feira, 2 de março de 2017

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem não quer


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10.
Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado.
Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto.
Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
¨
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás.
Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

- Por Ruth Manus

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Heterossexualidade não é natural, é compulsória", afirma sociólogo

É comum as pessoas acusaram os bissexuais de enrustidos, diz a psicanalista Regina Navarro Lins
Apesar das mudanças sociais e maior abertura com relação à discussão da sexualidade, os bissexuais ainda são vistos com desconfiança são e alvo de preconceito. Um exemplo é Daniela Mercury, que desde que assumiu seu relacionamento amoroso com uma mulher tem sofrido críticas. A declaração da cantora atingiu também seu ex-marido, Marco Scabia. Ter dito que aceitava com naturalidade a sexualidade da ex-mulher causou estranhamento e lhe rendeu ser ironizado até na imprensa. 

Para Richard Miskolci, professor do departamento de Sociologia da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), a sociedade exerce forte influência para que os indivíduos se definam como heterossexuais. "Todos têm essa possibilidade de se relacionar com o mesmo sexo, mas, no processo de socialização, as pessoas podem perdê-la. Desde crianças somos adestrados. Heterossexualidade não é algo natural, hoje sabemos que ela e compulsória", declara Miskolci. "Nas ciências sociais, desde a década de 1960, começaram a surgir estudos que mostram que as pessoas são socialmente treinadas para gostar do sexo oposto", afirma o professor, que pesquisa o uso das mídias digitais voltadas para pessoas que buscam parceiros amorosos. "Muitos homens casados ou com noiva e namorada criam perfis buscando relacionamento com outro homem, a maioria em segredo" (veja no quadro dados de um site de encontros em relação a bissexuais). 

Preconceito A educadora Juliana Inez Luiz de Souza, 25 anos, que também é assessora em uma central sindical de Curitiba, no Paraná, conta que é muito comum sofrer preconceito quando está de mãos dadas com sua mulher. "Ouço frases do tipo: 'Posso entrar no meio?' ou 'Sapatão dos infernos'. Já jogaram ovo na gente, levei cuspida junto com uma namorada", declara Juliana. "Mas não é porque sou casada com uma mulher e pretendo ficar muito tempo com ela que eu sou lésbica. E também não significa que quando estou com um homem sou heterossexual. Sou bissexual. E as pessoas precisam saber que isso existe". 

Além dos problemas enfrentados por Juliana, muitos outros podem aparecer no caminho de quem decide mostrar à sociedade que essa é sua orientação sexual. "O bissexual sofre muito preconceito. Já ouvi muitas vezes que não existe bissexual, mas homossexual que não quer se assumir. Isso não é verdade", afirma o psiquiatra, sexólogo e diretor do departamento de Sexualidade da Associação Paulista de Medicina Ronaldo Pamplona da Costa. 

Segundo a psicanalista Regina Navarro Lins, é comum a acusação de que os bissexuais ficam em cima do muro. "São tidos como gays enrustidos. Numa cultura de mentalidade patriarcal, se você diz que é bissexual, também informa que faz sexo com seu oposto, o que pode amenizar um pouco o preconceito", afirma Regina, que é autora de onze livros entre os quais "A Cama na Varanda" e "O Livro do Amor" (editora Best Seller), além de manter um blog no UOL 

Ideia equivocada 

Além de tachados como indefinidos sexualmente, os bissexuais também podem ser considerados promíscuos por alguns, como conta Juliana. "É outro clichê: bissexual é pervertido e topa tudo. As pessoas têm a visão que bissexual não se completa só com um na hora da transa, que precisa ter o outro", fala a assessora, que completa: "Eu me contento muito bem, seja com um ou com outro. Estou casada com uma mulher há três anos e minha relação é monogâmica, como a maioria dos casamentos, no estilo tradicional".

A psicóloga Claudia Lordello explica que essa é uma ideia errada a respeito das pessoas com essa orientação. "O bissexual pode ter relacionamentos estáveis e duradouros", afirma ela, que também é sexóloga do projeto Afrodite, o ambulatório de sexualidade feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"Há promíscuos e não promíscuos heterossexuais, bissexuais e homossexuais. O indivíduo que realiza sua bissexualidade não pode ser considerado promíscuo por esse comportamento exclusivamente", declara a psiquiatra Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade da USP). "Promiscuidade é trocar ou acumular parcerias sem critério e sem limite. É fazer do sexo uma forma banal e irresponsável de relacionamento. E isso resulta de um perfil de personalidade independentemente da orientação sexual", diz a médica.  

Carmita explica que o bissexual tem como característica sentir-se atraído pelos dois sexos, mesmo que não exercite essa prática. "Essa pessoa pode decidir e se empenhar para restringir-se a um só tipo de relacionamento, porque fez um investimento emocional numa relação, constituiu família por exemplo. Mas, em essência, o bissexual continua atraído por homens e mulheres". 

Ou seja: há os que se definem por uma relação no concreto e sublimam o outro lado ou o vivem apenas na fantasia, por meio de filmes, internet. E há os que fazem sexo de forma concreta com homens e mulheres.

Pesquisa 

Em 2008, para o estudo Mosaico Brasil, coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, foram entrevistados mais de 8.200 brasileiros entre 18 e 80 anos, em dez capitais, sendo 49% homens e 51% mulheres. Entre várias outras perguntas, os participantes responderam se faziam sexo habitualmente só com homens, apenas com mulheres ou com os dois. O resultado: 2,6% dos homens responderam que faziam sexo com ambos e 1,4% das mulheres deram a mesma resposta. "Ou seja, 4% das pessoas se identificaram como bissexuais, no Brasil. É um número que coincide com as estatísticas internacionais de pessoas adultas que já têm sua orientação sexual definida", conta Carmita. 

Fronteiras 

Para a historiadora Mary Del Priore, a noção de bissexualidade ganhou força a partir dos anos 1970, com as transformações sociais como a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a liberdade sexual trazida pela pílula anticoncepcional e o movimento hippie.

"Mulheres vestem calças compridas e se masculinizam para vencer profissionalmente. Rapazes deixam os cabelos compridos. Começam a se apagar as fronteiras entre o que é masculino e feminino, permitindo às pessoas transitarem de um papel para o outro. É o pano de fundo para o conceito da bissexualidade", fala Mary, que estuda a sexualidade no Brasil através dos séculos. 

"Caminhamos para um mundo onde os papéis sexuais vão ficar cada vez mais diluídos e as pessoas vão se permitir escolher e não ser necessariamente a mesma coisa a vida toda", afirma a pesquisadora, que finaliza: "A bissexualidade se abre hoje como uma possibilidade para todo mundo. Acho que a intolerância em relação ao bissexual vai decrescer". O pensamento da psicanalista Regina Navarro Lins segue essa linha de raciocínio. "É possível que haja mais bissexuais daqui a algum tempo por conta da dissolução das fronteiras entre masculino e feminino. Não existe mais nada que só interesse a mulher ou ao homem".
Ela também explica os motivos que a levam a concordar que os bissexuais terão mais liberdade para assumirem sua orientação. "Acredito que, no futuro, muito mais gente poderá ser bissexual porque a escolha de objeto de amor provavelmente se dará pelas afinidades e não pelo fato de ser homem ou mulher", afirma. 

Tudo pode mudar 

O indivíduo pode descobrir ter atração pelos dois sexos em qualquer momento da vida. "Esse interesse pode ser pelo mesmo sexo ou o contrário: a pessoa vive uma relação homossexual e, descobre que tem desejo pelo sexo oposto", segundo a psicóloga Claudia Lordello.

O psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa também acredita nesta possibilidade. "A orientação sexual pode ir mudando no decorrer da vida. Sei do caso de um homossexual assumido por 30 anos, casado com outro homem que, aos 60, casou com uma mulher por opção", fala o psiquiatra que também é autor do livro "Os Onze Sexos – As Múltiplas Faces da Sexualidade Humana" (Kondo Editora). 

Mas, segundo Fernando Seffner, professor da pós-graduação em Educação e coordenador da linha de pesquisa em Educação, Sexualidade e Relações de Gênero na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), não existe uma estrutura social que permita ao bissexual viver sua orientação tranquilamente. 

"O sujeito prefere manter compromisso estável com uma mulher, de quem gosta de verdade, e ter relações com homens em segredo", conta Seffner, cuja tese de doutorado abordou a bissexualidade masculina. Para ele, o movimento gay tem o grande mérito de ter construído a homossexualidade como vida viável, com possibilidade de adotar filho, ter um companheiro, estrutura social, mesmo com os preconceitos.

B. Notícias 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

FILMES ROMÂNTICOS E COMO NOS AFETAM



FILMES ROMÂNTICOS E COMO NOS AFETAM

Sempre fui daquelas que dizia com orgulho que não era influenciada por filmes românticos. Enquanto todas as minhas amigas assistiam a filmes no estilo de Como perder um homem em 10 dias e diziam acreditar naquilo, eu logo fazia uma careta e dizia que não, era besteira esperar por isso.

Porém, sempre fui apaixonada pelo meu amigo e acreditava que iríamos ficar, nos beijar, nos amar e um dia ele se declararia para mim, todo aquele amor que ficou guardado por anos. Bom, o primeiro momento aconteceu. Acabou que nos beijamos certa vez. Mas o dia seguinte não tinha nada a ver com o que imaginei: ele não era apaixonado por mim, deixou bem claro que era só uma noite e queria continuar sendo meu amigo. Mas peraí, e aquele final feliz que estava planejando na minha cabeça? Não iríamos ser felizes para sempre?

Filmes como De repente 30 (13 Going On 30, 2004), Amizade colorida (Friends with Benefits, 2011) e De repente é amor (A Lot like Love, 2005) mostram exatamente isso: um amor vindo do melhor amigo, um amor eterno e feliz. E, na realidade, não foi o que aconteceu. Então percebi que, na verdade, também acreditava em filmes assim.

Não é apenas essa a ilusão que nos transmitem. Os homens que estão sempre nesse gênero não possuem defeitos, ou se têm, são aqueles aceitáveis e engraçados para se lembrar numa conversa próxima (nenhum deles é abusivo ou totalmente machista, por exemplo). Os relacionamentos são felizes e mesmo as brigas são superadas pelo amor supremo. Há uma facilidade de cada parte expor seus sentimentos sem que o outro fique incomodado e, aliás, sentem-se elogiados e abraçados. Há uma bondade em geral, sem que haja qualquer indício de maldade de nenhum membro. E a maior de todas: quem se apaixonar por ti vai lutar de todas as maneiras para que entenda que este é seu amor verdadeiro, e assim você também vai se apaixonar (se já não estiver apaixonada), vocês vão se acoplar e serão felizes para todo o sempre.

Não são poucos os filmes assim: Amélie Poulain (Amélie, 2001), No balanço do amor (Save the Last Dance, 2001), Hitch (Hitch, 2005), O guarda-costas (The Bodyguard, 1992) Nunca fui beijada (Never Been Kissed, 1999) e por aí vai, senão faço um parágrafo inteiro só de filmes que ajudam nessas ilusões todas. E assim somos levadas a acreditar e a esperar que todos os relacionamentos se pareçam com algum filme já visto e que tenham o tão esperado final perfeito. Claro, isso existe desde sempre, porém os longas-metragens ajudam a reforçar tal ideia. E sim, há uma ajuda da indústria cinematográfica em geral para produzir este gênero com uma fórmula parecida: personagem feminina que precisa de um amor para se sentir completa encontra personagem masculino, se apaixona, luta por aquilo, ele também se apaixona, rolam algumas pedras no caminho mas, no fim, dá tudo certo.

Para começar, filmes românticos são um recorte da história do personagem. Após o final incrível e feliz, quem garante que o cara que era o príncipe encantado não se transformará num homem abusivo e começará a colocar sua tão amada esposa para baixo com frases desanimadoras? Como foi dito, as imperfeições de cada personagem não são mostradas de forma real, e sim ilusória, livre de defeitos extremamente ruins. Veja, nós somos feitos de defeitos e coisas boas, e isso não é mostrado. É sempre o extremo: ou você é muito bom ou você é muito mau.

Queremos ver finais felizes, beijos apaixonados, casais românticos com uma química incrível. Ou pelo menos é isso que os diretores, roteiristas e produtores acreditam que uma mulher quer ver. Então, comédias românticas são feitas exclusivamente para o público feminino, já o público masculino tem mais diversidade de histórias.

Existem filmes que mostram o depois e tentam modificar essa ideia de eternidade alegre e confortável. Filmes como 500 dias com ela (500 Days of Summer, 2009), O casamento do meu melhor amigo (My Best Friend’s Wedding, 1997), Rent (Rent, 2005), Once (Once, 2006) e Closer (Closer, 2004) mostram um outro lado, o do término de um relacionamento às vezes nem tão feliz. Na verdade, ninguém gosta de término, porque somos ensinadas desde sempre que os finais sempre são felizes e que nada é para acabar… Mas enquanto vivermos nesta Terra, começaremos e acabaremos relacionamentos, e isso é normal. E não necessariamente teremos um único relacionamento para toda a nossa vida.

Não devemos pegar uma parte da história e assumir que isso vai ser para sempre. Podemos ter um relacionamento estilo Scott Pilgrim (Michael Cera) e Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) — no qual ele luta contra todos os sete ex-namorados malvados de Ramona porque gosta dela de verdade —, com a ilusão de que alguém vai lutar pelo seu amor, ou outro num estilo Bridget Jones (Renée Zellweger) e Daniel Cleaver (Hugh Grant) — que apenas teve um relacionamento com ela, a enganando, porque queria transar. A vida é muito mais plena do que as duas horas que passamos na frente do computador assistindo a qualquer coisa pela Netflix. Saiba que é importante sim assisti-las, mas não se prenda: viva a realidade!

- Bia Quadros

(FONTE: http://www.revistacapitolina.com.br/filmes-romanticos-e-como-nos-afetam/)



domingo, 29 de janeiro de 2017

AMOR E INTIMIDADE

AMOR E INTIMIDADE  - Toda a gente tem medo da intimidade — ter ou não ter consciência desse medo é outra história. A intimidade significa expor-se perante um estranho — e todos nós somos estranhos; ninguém conhece ninguém. Somos mesmo estranhos a nós próprios, porque não sabemos quem somos.
A intimidade aproxima-o de um estranho. Tem de deixar cair todas as suas defesas; só assim a intimidade é possível. E o seu medo é que se deixar cair todas as suas defesas, todas as suas máscaras, quem sabe o que o estranho lhe poderá fazer. 

Todos nós andamos a esconder mil e uma coisas, não só dos outros mas de nós próprios, porque fomos criados por uma humanidade doente com toda a espécie de repressões, inibições e tabus. E o medo é que, com alguém que seja um estranho — e não importa se viveu com a pessoa durante trinta ou quarenta anos; a estranheza nunca desaparece —, parece mais seguro manter uma ligeira defesa, uma pequena distância, porque alguém se poderá aproveitar das suas fraquezas, da sua fragilidade, da sua vulnerabilidade.
Toda a gente tem medo da intimidade. O problema torna-se mais complicado porque toda a gente quer intimidade. Toda a gente quer intimidade porque, de outro modo, está sozinho neste Universo — sem um amigo, sem um amante, sem ninguém em quem confiar, sem ninguém a quem abrir todas as suas feridas. E as feridas não saram se não forem abertas.
OSHO,em 'Intimidade'


domingo, 8 de janeiro de 2017

SEXO NO MUNDO ANTIGO º Erotismo no Egito



Se você pensa que só de pirâmides, múmias e faraós foi feita a história do Egito, engana-se. Criativos e liberais, os egípcios experimentaram e documentaram suas atividades sexuais, que não estavam ligadas somente a reprodução. Sexo, erotismo e pornografia transbordavam as paredes e a sociedade egípcia. Os séculos que nos separam não nos diferenciam de nossos antepassados egípcios e depois de tanto tempo um objetivo permanece: a busca pelo prazer. 
https://youtu.be/zFup4iEWQr0

Clique na foto abaixo para assistir o vídeo: 

sábado, 31 de dezembro de 2016

O casamento é a instituição mais triste inventada pelo homem.

O casamento é a instituição mais triste inventada pelo homem.
Não é natural; foi inventado para se poder monopolizar a mulher.
As mulheres têm vindo a ser tratadas como se fossem uma extensão de terra ou algumas notas bancárias.
A mulher foi reduzida a uma coisa.

Lembre-se que se reduzir qualquer ser humano a uma coisa – sem se aperceber, sem ter consciência – estará a reduzir-se também ao mesmo estatuto; caso contrário não poderá comunicar.
Para conseguir falar com uma cadeira, você tem de se tornar uma cadeira.
O casamento é contranatural.
Só podemos ter certeza do momento presente, o que temos nas mãos.
Todas as promessas para amanhã são mentiras – e o casamento é uma promessa para toda a vida, uma promessa de que ficarão juntos, de que se amarão, de que se respeitarão mutuamente até ao último dia das vossas vidas.
Se der ouvidos à natureza, os seus problemas simplesmente deixarão de existir.
O problema é o seguinte: biologicamente os homens sentem-se atraídos pelas mulheres, as mulheres sentem-se atraídas pelos homens, mas a atração não pode ser a mesma para sempre. 
Os amantes não se enganam um ao outro, eles estão a dizer a verdade – mas essa verdade pertence ao momento.
Quando dois amantes dizem um ao outro: ‘Não consigo viver sem ti’, (...) eles estão a falar a sério.
Mas não conhecem a natureza da vida.. (...) À medida que os dias passam começam a sentirem-se presos. 
Para mim é tudo natural.
O que não é natural é unir pessoas em nome da religião, em nome de Deus, para o resto da vida.
Num mundo melhor e mais inteligente, as pessoas sentirão amor, mas não farão contratos.
Não é um negócio!
Elas compreender-se-ão e compreenderão o fluxo mutável da vida.
Serão verdadeiras para com as outras.
Não haverá necessidade de casamento, não haverá necessidade de divórcio.
Nessa altura, a amizade será possível. 
É muito feio o tribunal e a lei estatal interferirem na nossa vida privada – vocês têm de lhes pedir permissão.
Quem são eles? É uma questão entre dois indivíduos, é um assunto privado.
Só existirão amigos – não existirão maridos nem mulheres.
Claro que se só houver amizade, a paixão nunca se transformará em ódio.
No momento em que sentirem a paixão a desaparecer dirão adeus e ambos serão capazes de compreender.
Mesmo que seja doloroso, não se pode fazer nada – a vida é assim.
Mas o homem criou as sociedades, as culturas, as civilizações, as regras, os regulamentos e transformou toda a humanidade numa coisa que não é natural.
É por isso que os homens e as mulheres não podem ser amigos – o que é uma coisa muito feia; começam a possuir-se uns aos outros...
As pessoas não são coisas, não se pode possuí-las.
Nenhuma mulher é propriedade de ninguém, nenhum marido é propriedade de ninguém.
Que tipo de mundo é que vocês criaram?
As pessoas foram reduzidas a propriedades; e depois surge o ciúme, o ódio. 
Por isso, este é o conselho de despedida que te dou: nunca tentes agarrar-te a uma pessoa para o resto da tua vida.
O amor não é uma paixão, não é uma emoção.
O amor é um entendimento muito profundo de que de alguma forma alguém o completa.
(...) A presença do outro melhora a sua presença.
O amor dá-lhe liberdade para ser você mesmo; não é sentimento de posse.”