domingo, 14 de maio de 2017

Amores


"O condicionamento cultural é tão forte que chegamos à idade adulta sem saber o que realmente desejamos ou o que aprendemos a desejar. Isso ocorre em todas as áreas, portanto, também no que diz respeito ao amor. Fomos estimulados a investir nossa energia amorosa/sexual somente em uma pessoa e a acreditar não ser possível ter mais de um amor de cada vez.
Para quem está vivendo essa situação, surgem muitas dúvidas a respeito dos próprios sentimentos, na mesma medida em que o sofrimento é grande para quem descobre que o parceiro (a) está amando alguém mais. Ao fazer com que todos acreditem ser impossível amar duas pessoas ao mesmo tempo, o nosso modelo de amor torna inquestionável a conclusão: “se amo uma pessoa, não posso amar outra” e “se ele ama outra pessoa é porque não me ama”.
Contudo, não duvido de que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo. Não só filhos, irmãos e amigos, mas também aqueles com quem mantemos relacionamentos afetivo-sexuais. E podemos amar com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente. Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. Há a cobrança de rapidamente se fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos." (RN)



quinta-feira, 20 de abril de 2017

COM SENTIMENTO DE POSSE, NUNCA AMAREMOS....


COM SENTIMENTO DE POSSE, NUNCA AMAREMOS.... 

Nós conhecemos o amor como sensação, não é verdade? Quando dizemos que amamos, conhecemos o ciúme, o medo, a angústia. Quando você diz que ama alguém, tudo isso está implicado, não é mesmo, a inveja, o desejo de possuir, dominar, o medo da perda, e assim por diante. Tudo isto nós chamamos amor, assim *não conhecemos o amor sem medo, sem inveja, sem posse,*nós meramente verbalizamos esse estado de amor que é sem medo, e nós o chamamos de impessoal, puro, divino, ou D'us sabe o que mais, mas o fato é que somos invejosos, somos dominadores, possessivos. Nós só conheceremos o estado de amor quando inveja, ciúme, possessividade, dominação chegarem ao fim, e enquanto tivermos esse sentimento de posse, nunca amaremos ... 

 Quando é que você pensa sobre a pessoa que você ama? Você pensa nela quando ela vai embora, quando está longe, quando ela o deixou... Então, você sente falta da pessoa que você diz que ama, só quando você está perturbado, está sofrendo, e enquanto você tem aquela pessoa, você não tem que pensar nela, porque na posse não há perturbação ...

O pensamento vem quando você está perturbado e você está destinado a ser perturbado enquanto seu pensamento for o que você chama de amor. Certamente, amor não é uma coisa da mente, e porque as coisas da mente encheram nossos corações, não temos amor. As coisas da mente são ciúme, inveja, ambição, o desejo de ser alguém, de ter sucesso. Estas coisas da mente enchem seus corações, e então você diz que ama, mas como você pode amar quando você tem todos estes elementos confusos em você? Quando há fumaça, como pode haver uma chama pura?


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Mulher irresistível: a femme fatale

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana afirma já ter conhecido uma mulher “fatal”.
Eneida, uma mulher de 65 anos, me procurou no consultório por se sentir abalada com o novo relacionamento amoroso de seu filho, Walter. Ele, um médico de 40 anos, segundo ela, sempre foi muito sensato. Há dois anos, sua mulher quis a separação e Walter sofreu muito com isso. Saiu de casa, deixando o apartamento para a ex-mulher e as filhas e, não tendo outra alternativa, foi morar com a mãe.
“Agora, depois de tantos anos, tenho acompanhado mais de perto a vida cotidiana do meu filho. Estou horrorizada. Há alguns meses, após todo o drama da separação, Walter arranjou uma namorada. No início, fiquei até contente, afinal, ele estava muito sozinho, com a autoestima bastante abalada. Só que aos poucos, fui percebendo que a namorada não passa de uma oportunista.
Ele lhe pede presentes caríssimos; até empréstimo em banco descobri que ele pediu para não decepcioná-la numa viagem que ela sugeriu para Fernando de Noronha. Mas o pior de tudo é que o único bem que lhe restou, um belo sítio em Teresópolis, descobri que ele passou para o nome dela. Ela o domina completamente. Não adianta eu tentar fazê-lo enxergar o que está acontecendo. Walter simplesmente não me ouve. Não reconheço mais o meu filho e não sei como devo agir.”
Quantos homens você conhece que foram vítimas de “femmes fatales”? Sempre se contaram histórias de homens que perderam tudo, ficaram na miséria tentando satisfazer todos os desejos da mulher amada.
Elas exigiam apartamentos, joias, casacos de pele, e eles nem titubeavam, compravam tudo para elas. As mulheres “respeitáveis” observavam de longe e se perguntavam: “O que elas têm que eu não tenho?”
E como o sexo devia ser contido para estas, era natural imaginarem que a resposta estava no prazer especial que as outras sabiam proporcionar aos homens. Mas será que o motivo dessa paixão obsessiva pode ser atribuído somente ao sexo? É pouco provável.
A ideia que se tem da mulher fatal é a de uma mulher atraente, tão irresistível que faz o homem abandonar tudo por sua causa e depois, então, acaba com ele, muitas vezes provocando tragédias. Dizem alguns que a “femme fatale” clássica se torna prostituta de categoria depois de ter sido abandonada por um namorado e dedica o resto da vida a se vingar nos homens que conhece. Mas não é sempre assim.
Na História encontramos muitos exemplos de mulheres fatais. A primeira e a mais competente de que se tem notícia parece ter sido mesmo Eva. Ao tentar Adão, teria provocado a desgraça, não só para ele, mas para todos nós.
Outra bem prestigiada é Cleópatra. Ela seduziu de tal forma Marco Antônio, que quando Roma toda ficou contra ele o suicídio foi a única saída. Isso aconteceu há dois mil anos, mas até hoje elas continuam por aí.
No início do século, algumas cortesãs se misturavam com a alta sociedade e era chique um jovem ser arruinado por uma delas. Quanto mais dilapidavam uma fortuna, mais eram valorizadas.
Na Inglaterra, dizem que Eduardo VIII foi vítima dessa perigosa atração ao desistir do trono, em 1936, para se casar com uma divorciada americana. E há quem atribua à atração que Yoko Ono exerceu sobre John Lennon, na década de 70, o lamentável fim dos Beatles.
Mas, afinal, o que faz essas mulheres terem tanta força? Como conseguem dominar homens poderosos e submetê-los aos seus desejos? Talvez a explicação se encontre na forma como as crianças são educadas na nossa cultura.
Desde cedo o homem é ensinado a não precisar da mãe para não ser chamado de “maricas”. Para isso, aprende a considerar a mulher inferior, a desprezá-la.
Entretanto, essa atitude não passa de uma defesa por ter sido afastado da mãe quando ainda precisava de seus cuidados e carinho. A mulher, por sua vez, deve ser submissa ao homem, deixar que ele domine a relação e decida as coisas.
A mulher fatal, ao contrário, é forte, dominadora e habilmente induz o homem a fazer o que deseja. Desta forma, não é difícil ele se tornar dependente por encontrar nela a satisfação das necessidades reprimidas desde a infância: ser cuidado e dirigido por uma mulher.
Com ela, pode se tornar menino, se sentir protegido. E é claro que sexualmente ela o satisfaz, já que não mede esforços para tê-lo nas mãos. A entrega dele é total.
Sem dúvida, a mulher fatal do século 21 é bem diferente das suas antecessoras, mas o fascínio exercido sobre o homem que a deseja não é em nada menor. Dificilmente ele resiste, é capaz de qualquer loucura por ela.


http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2016/09/27/mulher-irresistivel-a-femme-fatale/


quarta-feira, 15 de março de 2017

“O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier”


“O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier”
Beto Guedes e Fernando Brant (1980)
O amor é um sentimento com a capacidade de impulsionar e revolucionar o mundo. Nos remete no primeiro momento a sensações agradáveis como prazer, o carinho, o desejo... No entanto, muitos de nós se doaram tanto se esgotaram, e por um motivo ou outro acabaram se fechando para amar. 
O amor traz em sua bagagem sensações que nos acessam a nossa memória infantil e nos retornam ao aconchego do colo materno, tão envolvente em proteção e carinho. Em determinadas situações, quando essa experiência tão importante para um criança falha, seja por ausência ou superproteção, sua forma de amar e de se relacionar futuramente com o seu mundo interno e o mundo lá fora poderá ser influenciada.
Esse primeiro contato de amor entre o bebê e sua mãe não podem ser ensinados através de técnicas ou manuais, pois depende de algo muito mais sutil, sublime e íntimo, do seu Eu interior.
Quando amamos, desejamos, sonhamos e criamos expectativas, pois o que nos excita no outro está dentro de nós, estamos atendendo primeiramente nossos desejos. Então, se temos medo de amar, de nos entregar, talvez não tenha sido construído de forma satisfatória, ou talvez como a gente queria, afinal somos seres faltantes e sempre estamos em busca de algo... E o sentido que fica é de desamparo e insegurança, ou não sentir-se merecedor em ser amado.
Tal insegurança aliada ao medo pode estar atrelada a traumas e a dores do passado. E esse medo pode ser um mecanismo de defesa encontrado para se blindar e ficar “imune” ao amor e aos possíveis prazeres que ele carrega em si.
Mas amar é viver, não existe manual. Conhecer-se e se permitir nesta aventura que é amar! Viver em toda sua intensidade e encher-se de vida e preencher os vazios que se instalaram dentro de si.
O que passou não poderá ser modificado, mas poderá ser olhado com um novo significado, possibilitando um caminho novo cheio de amor – próprio. Cada história é única, e pode ter recomeços diferenciados e diversos com outros personagens que darão um roteiro diferente e quem sabe, muito mais feliz!
- Roseane Corso

quinta-feira, 2 de março de 2017

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem não quer


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10.
Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado.
Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto.
Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
¨
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás.
Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

- Por Ruth Manus